Gestalt do Objeto – João Gomes Filho


Victor Vasarely Gestalt Plavo 1970

Gestalt do objeto é um livro que trata de como fazer a leitura visual da forma, a partir de fundamentações científica e de psicologia perceptual da forma o autor expressa cada questão por meio de tópicos e imagens.

A gestalt, após diversas pesquisas, trata-se do fenômeno da percepção, através da interpretação do nosso cérebro.

Leis da Gestalt

 

A Gestalt é dividida em 8 leis: Unidade, Segregação, Unificação, Fechamento, Continuidade, Proximidade, Semelhança, Pregnância da Forma.

Unidade – Uma unidade é identificada em um único elemento, que se encerra em si mesmo.

Segregação – A segregação é a parte que se divide ou que se evidencia em relação as outras unidades, é o fator que contrasta no objeto com outros elementos.

Unificação – A unificação consiste na igualdade ou semelhança dos estímulos, nela se encontra harmonia e equilíbrio nos objetos.

Fechamento – O fechamento ocorre quando se estabelece uma formação nas unidades, ou seja, obtêm a sensação de fechamento visual da forma pela sua continuidade estrutural.

Continuidade – A continuidade é a tendência dos elementos se acompanharem uns ao outros, de maneira que permitam a continuidade de um movimento para uma direção já estabelecida.

Proximidade – A proximidade ocorre quando os elementos que estão próximos entre si tendem a ser vistos juntos, a proximidade e a semelhança são dois fatores que agem juntos.

Semelhança – A semelhança é estimulada pela igualdade da forma e da cor, o que desperta um agrupamento das unidades por partes semelhantes.

Pregnância da Forma – A pregnância da forma é uma das leis mais básicas na gestalt, um objeto com alta pregnância da forma tende a ser equilibrada, harmônica e homogênea trazendo uma boa visualização fazendo com que o espectador consiga entender a forma rapidamente sem problemas, um objeto com baixa pregnância da forma faz com que se tenha mais trabalho para identificar as unidades no objeto.

Após as definições colocadas a cima sobre a gestalt será colocado a conceituação da forma. A forma nada mais é do que os limites exteriores da matéria de que é constituído um corpo, a percepção da forma é o resultado de uma interação entre o objeto físico e o meio de luz agindo como transmissor de informação.

A forma pode ser subdividida por: Ponto, Linha, Plano, Volume, Configuração Real e Configuração Esquemática.

Ponto – O ponto nada mais é do que a unidade mais simples é qualquer elemento que funcione como um centro de atração.

Linha – A linha é a junção de vários pontos, fazendo com que se possa se criar um elemento.

Plano – O plano e a sucessão de várias linhas, criando assim duas dimensões: a largura e o comprimento.

Volume – O volume é definido por uma projeção tridimensional, pode se ter uma sensação de volume a partir da iluminação, da sombra, do brilho, textura, etc.

Configuração Real – É a representação real de objetos e coisas utilizando os limites reais a partir de pontos, linhas, planos e volumes, por meio de fotografias, ilustrações, gravuras, e pinturas.

Configuração Esquemática – É a representação do objetos, por meio de sombras, manchas, chapado, traço, linha de contorno, silhueta, etc.

Para completar todo este sistema de leitura visual são acrescentadas duas classes de categoria conceitual: Fundamentais e Técnicas Visuais Aplicadas.

Categorias Conceituais: Fundamentais

Esta categoria tem finalidade de darem mais embasamento e consistência as leis da Gestalt, são elas: Harmonia, Desarmonia, Equilíbrio, Desequilíbrio e Contraste.

Harmonia – A harmonia é a disposição formal bem organizada entre todos os elementos do objeto, trazendo regularidade de forma simples e clara. A harmonia por ordem traz uniformidade entre as unidades e a harmonia por regularidade traz elementos absolutamente nivelados em termos de equilíbrio visual.

Desarmonia – Podemos chamar do processo oposto a harmonia, os elementos se tornam desordenados produzindo discordâncias, tendem a serem irregulares não tendo nivelamento e inconstância formal.

Equilíbrio – O equilíbrio acontece quando as forças agem ao mesmo tempo sobre ambos os lados dos elementos, trazendo a sensação de que os dois lados de um objeto são iguais ou que são compensados mutuamente. O equilíbrio pode ser compensado por pesos ou pela sua direção que podem ser iguais, ou que balanceiam.

O equilíbrio pode ser simétrico, ou seja, é um equilíbrio axial que pode acontecer em um ou mais eixos, nas posições horizontal, vertical, diagonal ou de qualquer inclinação. E também pode ser assimétrico, nenhum de seus lados opostos são iguais.

Desequilíbrio – É o oposto do equilíbrio, é quando as forças que agem sobre os corpo não consegue equilibrar-se. Este estado pode trazer uma certa atenção ao observador, chamando a atenção ou até o inquietando.

Contraste – O contraste tem uma grande importância, é onde através da luz ou de sua ausência, traz as formas dos objetos. A partir de diferentes cores também pode se notar o contraste realçando ou não diversos elementos. O contraste também pode ser vertical ou horizontal, pode ser a partir de movimentos e dinamismo.

Categorias Conceituais: Técnicas Visuais Aplicadas

Técnicas visuais aplicadas têm como finalidade fornecer subsídios valiosos para o procedimento criativo no desenvolvimento de projetos de qualquer natureza. Essas técnicas são divididas em: Clareza, Simplicidade, Minimidade, Complexidade, Profusão, Coerência, Incoerência, Exageração, Arredondamento, Transparência Física, Transparência Sensorial, Opacidade, Redundância, Ambigüidade, Espontaneidade, Aleatoriedade, Fragmentação, Sutileza, Diluição, Distorção, Profundidade, Superficialidade, Seqüencialidade, Sobreposição, Ajuste Óptico e Ruído Visual.

Clareza – Onde a uma visualização bem organizada, unificada, harmoniosa e equilibrada. O objeto pode ter uma estrutura simples, ou complexa.

Simplicidade – Ela é livre de complicações, traz harmonia e unificação, normalmente traz baixo numero de informações ou unidade visuais.

Minimidade – É uma técnica econômica, onde há pouquíssimos elementos em sua composição.

Complexidade – Oposto do conceito de simplicidade, a complexidade tende a ter muitas unidades em sua composição, e dificulta a sua leitura rápida.

Profusão – A técnica de profusão esta ligada, ao poder da riqueza, estilos formais góticos, barroco, art déco e similares. Ela é associada ao fator da complexidade.

Coerência – Caracteriza por uma organização visual integrada, equilibrada e harmoniosa em relação ao seu todo.

Incoerência – É o oposto da coerência, a sua organização visual é distinta e contraditória, os objetos apresentam desarmoniosos e desintegrados.

Exageração – A exageração traz uma expressão visual intensa e amplificada, onde traz um enorme foco de atração em algum elemento no seu todo.

Arredondamento – Caracteriza pela suavidade, delicadeza e a maciez que as formas transmitem. O arredondamento esta ligado a continuidade fazendo com que os olhos percorrem de maneira tranqüila a configuração do objeto.

Transparência Física – A transparência caracteriza-se por objetos sobrepostos e que pode se ver através deles, a visualização pode ser parcial ou total.

Transparência Sensorial – Neste caso a transparência passa um sensação muito próxima da realidade dos objetos visualizados. É produzido por uso de técnicas tradicionais e computacionais.

Opacidade – Esta técnica é o oposto da transparência nela não se pode visualizar o que esta por trás do objeto sobreposto.

Redundância – A redundância se resume basicamente por excesso de elementos iguais, muitas vezes até supérfluos.

Ambigüidade – Esta técnica produz efeitos interessantes, pois mostra um único objeto com interpretações diferentes daquilo que é visto.

Espontaneidade – É uma técnica não premeditada, instintiva, não há nenhum planejamento para sua realização.

Aleatoriedade – É uma técnica que faz com que os elementos sejam dispostos de um modo não seqüencial, algo casual ou acidental.

Fragmentação – Esta técnica se caracteriza por uma organização formal decomposta, as unidades estão separadas entre si.

Sutileza – É uma técnica de forma elegante e grácil que reflete bom gosto.

Diluição – A técnica de diluição não se associa a precisão e a  nitidez da forma. Podese passar sensações de calor humano, sonho, ilusão e outros sentimentos.

Distorção – Se caracteriza por deformação, mudanças de sentido ou ainda por diferenças de ampliação. Esta técnica bem manejada produz efeitos plásticos muito intensos.

Profundidade – A profundidade se caracteriza principalmente nas variações de imagens retilíneas, provocando um percepção de profundidade ou de distancia.

Superficialidade – Essa técnica se caracteriza por elementos bidimensionais e chapados. Ela é o contrario da técnica de profundidade.

Seqüencialidade – Essa técnica se aplica a uma organização de unidade de um modo que fiquem continuas, trazendo harmonia e equilíbrio.

Sobreposição – É uma técnica que trás por características objetos um em cima dos outros, que podem ser opacos, translúcidos ou transparentes.

Ajuste Óptico – O ajuste óptico funciona como um refinamento no trato da forma e do bjeto, tem como pressuposto básico o equilíbrio e a harmonia visual.

Ruído Visual – O ruído visual acontece quando existe uma interferência ou até mesmo algo inesperado que atrapalha um pouco a harmonia visual do objeto. Mas o ruído visual também pode ser útil utilizando-o de uma maneira inteligente.

Conclusão

Após o aprendizado de todas essas técnicas, o que fará do observador um bom leitor da forma visual será sua sensibilidade e seu repertório cultural, técnico e profissional.

As dificuldades vão desaparecendo a medida que o observador faça exercícios práticos de acordo com a metodologia de leitura.

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Designer de Interface pós graduado em Arquitetura da Informação. UI/UX Designer e Front-end Developer, atualmente atendo empresas como freelancer e sou colaborador em uma agência de comunicação onde desenvolvo interfaces criativas com foco na experiência do usuário. Organizador por natureza acredito que o caos é a matéria-prima necessária.

10 comentários em “Gestalt do Objeto – João Gomes Filho

  1. Aglaê 7 de outubro de 2016 22:29

    Excelente texto, bem objetivo e esclarecedor.

  2. Luciana Gama 13 de novembro de 2013 12:38

    Texto muito bem elaborado!
    Me ajudou muito. Obrigado por divulga-lo.

  3. luana lopes 21 de outubro de 2011 16:36

    Oiie Robson,
    eu estou cursando o 1° periodo do curso de design gráfico e fazendo minha pesquisa sobre gestalt encontrei seu blog. Adoorei seu blog ta de parabéns, além da explicação sobre gestalt que ajudou muito.
    Parabéns sucesso para você!

    • Robson Moulin 22 de outubro de 2011 13:55

      Olá luana, que bom que gostou e te ajudou! obrigado pela visita volte sempre!

  4. vinicios Daltoé 25 de maio de 2011 16:40

    O livro do João Gomes Filho é realmente um material muito rico, e o conteúdo deste post faz justiça ao autor, pois está muito bem articulado e fiel.

    Com toda certeza usarei como referência para meus alunos de desenho.

    Parabens a ambos.

    • Robson Moulin 26 de maio de 2011 8:10

      Realmente é um material indispensável, e muito rico!
      Obrigado pela visita Vinicios, volte sempre!

  5. Jonas 20 de maio de 2011 20:32

    Oi..Robsonn..

    Gosteii muito do seu blog.. estudo design e estou cursando o 1° periodo….. e estamos utilizando o livro de gesltat…
    estou me interessando muito por esse mundo… e o livro esta me ajudando bastante…
    por incrivel que pareça,, o nome do nosso professor de metodologia visual e Robson…. :D

    • Robson Moulin 21 de maio de 2011 0:15

      Ola Jonas que legal que esta curtindo, realmente essa estudo sobre Gestalt é muito bom e esse livro então nem se fala o autor consegue explicar de uma forma objetiva todos os fatores da Gestalt da Forma.

      Que coincidência, mais por enquanto não estou dando aula rsss quem sabe daqui uns anos!

      Abraço! Obrigado por visitar meu blog volte sempre!

  6. jOÃO gOMES fILHO 26 de dezembro de 2010 16:00

    Olá ROBSON

    Muito obrigado por divulgar nossos conhecimentos.
    Também gostei muito desse seu blog. Parabens. Vou divulgá-lo para meus alunos.
    Abraços
    João Gomes Filho

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